projecto

Antes de tudo, quero deixar claro que este projecto apenas foi iniciado. Por isso, as galerias de fotos que apresento actualmente  apresentam  uma quantidade reduzida de fotos. Servem sobretudo para promover uma primeira abordagem. Ainda lhe esperam todos os cambiantes que possam aparecer, quero com isto dizer que, na sua finalização poderá apresentar-se a alguma distância conceptual relativamente à ideia que o fez nascer.

Necessito pelo menos de mais 1 ano, quero descobrir mais idosos e cobrir as 4 estações.

Numa tentativa de me lembrar como surgiu a ideia deste projecto começo por quando, não me lembro exactamente… talvez em março de 2012 (sem certezas), asssisti num dos quatro canais de televisão portuguesa, numa dessas frequentes semanas de estadia no Porto, a uma reportagem sobre visitas feitas pela GNR de Bragança a pessoas idosas que viviam sós ou/e isoladas. Vi coisas que me chocaram um pouco ou muito. Daqui nada. Passaram alguns meses nos quais fui acumulando umas experiências, e com elas, reflexões: fui fazendo voluntariado numa associação de voluntários de apoio a idosos que vivem sozinhos em Barcelona, levei uma amiga a entrevistar a minha avó, depois de ter ficado como 4ª finalista num concurso de fotografia com fotos de casamentos fui ganhando desejo de desenvolver um projecto fotográfico, para assim, enriquecer-me como fotógrafa e ser humano.

A partir daqui surge um hiato e, continuando sem saber como ou porquê, apareceu a ideia de reportar fotograficamente a realidade que assisti naquela reportagem. Entusiasmou-me a ideia tanto pelo cariz de responsabilidade social que lhe é inerente, assim como, pelo desafio artístico que se me apresentava. Também porque me pareceu uma oportunidade óptima de entrar em contacto com a vida rural e a cultura genuina de um Portugal, que mais dia ou menos dia, acabará.

Este projecto tem como objectivos principais documentar, para posteriormente, expor (nas suas diferentes formas como a publição de livro, a exposição) quer em Portugal quer no estrangeiro, e desta forma, sensibilizar a população sobre esta realidade do quotidiano de pessoas com idade superior a 65 anos que vivem sós e/ou isoladas em zonas desertificadas em Portugal. Cada apenas retrato se poderá afirmar completo se enquadrado em cada uma das quatro estações que encerram um ano.

Os tópicos esseciais (ou palavras-chave) que definem os objectos alvo deste projecto: terceira idade, solidão, isolamento, desertificação, cultura rural, Portugal, sazonalidade, documentar, expor e sensibilizar.

Em geral, a nível nacional, assiste-se ao aumento do envelhecimento da população. Idosos que vivem sós ou/e isolados não faltam. O interior rural desertificado quase que só é habitado por eles, porém, o litoral urbano superpovoado também.

Confrontando este dualismo reforçava-se a necessidade de especificar os objectos alvos do projecto, para assim, tornar possível a escolha da área geográfica para iniciar.

Tinha de começar por algum lado.

Decidi orientar-me pelos dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Depois de uma breve investigação a partir de documentos por mim, indicados pelo próprio INE depois de enviar um pedido de orientação, concluí que os concelhos de Sabugal, Penamocor e Idanha-a-Nova concentravam as maiores taxas, a nível nacional, de famílias unipessoais constituidas por pessoas com idade superior a 65 anos.

Sabugal pertence ao distrito da Guarda, Penamocor e Idanha-a-Nova a Castelo Branco.

A minha condição financeira limitava-me (e ainda limita) a nível logístico. Tive que organizar-me dentro desses limites. Uma das formas de o fazer é pedir ajuda.

Abordei um amigo guardense perguntando se conhecia pessoas nestas condições, se conhecia alguém que conhecesse alguém, ou, se de alguma forma me poderia ajudar ou se conhecia alguém que me podesse ajudar. E sim, apresentou-me a um amigo. Decidi ‘fazer umas férias’ na Guarda para apalpar terreno, instalando-me no parque de campismo e deslocando-me de transportes públicos e bicicleta, já que não possuo nem carro nem carta de condução. Acabei por instalar-me num atelier, o espaço ‘das portas abertas’, com todas as condições menos água quente. Foi substituida a água quente de uma casa normal pela oportunidade de conhecer meia Guarda e 1/4 de mundo.

O facto é que actualmente mantenho contactos com pessoas residentes no distrito da Guarda mas nenhuma delas do concelho do Sabugal. Com esta observação intenciono constatar as variantes que possam surgir à medida que se avança no caminho para a concretização do projecto. Se antes tinha referido o concelho de Sabugal como área a explorar, pois agora não está incluído, o que não significa que não esteja no futuro.

Desejo, a longo prazo, extender-me além fronteiras administrativas distritais ou municipais, sem alguma dúvida para Castelo Branco. Gostaria sim de me limitar ao interior de Portugal, até ao dia em que mude de ideia.

Este projecto acaba de começar, mais precisamente no dia 28 de julho de 2012 e dita inauguração começou da melhor forma, com o Festival Transumâncias de Fernão Joanes do qual vos deixo uma memória a partir deste link

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