pedido de colaboração à gnr

Não foi imediata a resposta positiva por parte da GNR aquando os meus primeiros contactos, em que apresentava um pedido de colaboração.

Nele pedia ajuda para que me dessem a conhecer os sítios e pessoas que correspondessem às condições do interesse do projecto, ou seja, pessoas com idade superior aos 65 anos que vivem sós ou/e  isoladas em zonas desertificadas e que por uma patrulha fosse acompanhada, e assim, ser apresentada. 

Tinha claro que seria a melhor maneira de fazer um primeiro contacto, a melhor maneira de ganhar a confiança de pessoas que apresentam um tipo de fragilidade física, seja pela idade avançada seja por causa de alguma doença que padeçam e que, com alguma frequência, são vítimas de burlões e roubos, mais ou menos violentos. O isolamento e a solidão pioram qualquer uma destas circunstâncias. Qualquer desconhecido que se aproxima pode significar perigo.

Como o meu projecto obriga a uma invasão, até certo nível, da privacidade, ainda com mais artíficio deveria ser resolvida esta barreira. Tão simplesmente o único por mim levado em consideração seria através da presença da GNR.

A sua ajuda era de importância mor, não por uma, mas por duas razões: dar-me a conhecer os sítios e pessoas e apresentar-me às mesmas. Não concebi outra forma de começar com o projecto (por certo que se esta não fosse possível, outra teria de ser idealizada).

Uma desconhecida declarando-se fotógrafa com a intenção de desenvolver um projecto fotográfico por conta própria não apresenta o conjunto de condições mínimas  exigidos que permitem a prestação de serviços por parte da GNR. A natural desconfiança foi alguma, e mais justificada ainda, por visar um tema tão delicado. Concordo absolutamente que se apresentam dificuldades em ceder dados confidenciais. 

Comprometi-me a guardar sígilo de qualquer dado sobre a identificação e localização das pessoas que serão fotografadas, por isso, apenas aparecem identificadas pela letra inicial do seu nome, assim como não refiro a freguesia e aldeia onde se localizam.

Fui insistindo em manter o contacto e assim ir ganhando pouco a pouco a confiança. Como vivo em Barcelona, fi-lo sobretudo por e-mail ou por telefone. Cheguei mesmo a ir de Barcelona até à Guarda propositadamente, para voltar em dois dias, para falar pessoalmente com o Sr. Tenente Coronel Cunha Rasteiro, Relações Públicas da GNR da Guarda, e explicar novamente a minha condição de freelancer, não enviada por ou associada a qualquer instituição ou meio de comunnicação. Estava claríssimo que imediatamente se abririam as portas no caso de vir a realizar este projecto em nome de um destes dois.

Finalmente (e quase inesperadamente) abriu-se uma porta: afinal não foi tão díficil. E desta poderei abrir mais. A partir daqui entrei em contacto com oficiais que de facto contactam e estão envolvidos com as pessoas que procurava, e outras mais. Foram indicados uns cinco sítios, contudo, tive acesso a mais, naturalmente. 

A partir daqui senti que comprendiam o que eu queria fazer. Senti também que me querem ajudar nisso e que me agradecem.

 

Partilho convosco o e-mail que enviei à GNR do Comando Territorial da Guarda.

                                                                                                                                               

Exmo. Sr. Comandante,

Guarda, 31 de julho de 2012

Venho por este meio comunicar um pedido de colaboração, à Guarda Nacional Republicana Portuguesa da Guarda, para a realização de um projecto particular que em seguida passo a descrever.

É um projecto muito recentemente idealizado por mim, inspirado numa reportagem da televisão portuguesa sobre visitas/acompanhamento feitos pela GNR de Bragança a pessoas idosas que vivem sós e isoladas. Trata-se então de documentar fotograficamente, a médio/longo prazo (entre 9 a 12 meses), o dia-a-dia destas pessoas. Segundo dados obtidos a partir de documentação do INE, nos municípios do Sabugal, Penamacor e Idanha-a Nova coincidem as taxas mais altas de envelhecimento do país e de famílias unipessoais. A partir daqui decidi começar pelo Sabugal, que faz parte do distrito da Guarda, já a partir de finais de Julho e pelo mês de Agosto deste ano.

Este projecto tem como finalidade, fundamentalmente, documentar esta realidade. Numa fase posterior expô-la à sociedade sub a forma de exposições em espaços públicos ou privados, publicações de imprensa (tanto em Portugal como no estrangeiro) ou on-line. Imagino que estas pessoas estejam numa situação vulnerável tanto pelo seu isolamento como pela idade avançada e que já tenham sido vítimas de roubos (por exemplo) ou ouvir falar deste tipo de casos. Uma pessoa desconhecida poderá ser uma presença perturbadora (embora o mês de Agosto seja a temporada de retorno de familiares ausentes, para alguns), no entanto, sendo acompanhada por guardas da GNR  transmitiria definitivamente a confiança necessária para um primeiro contacto. A GNR tanto dispõe da informação necessária que permite a deslocação a estes locais e pessoas com características tão específicas, assim como,  são o símbolo e a realidade de uma segurança garantida, por este facto, entrei em contacto. 

Com os meus melhores cumprimentos,

                                                                                                               Cecília de Fátima Santos

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